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quarta-feira, 6 de março de 2019

Resenha: A Casa dos Deuses - Portais da Liberdade - José Leonídio (Autografia)

 (...) se pode dominar tudo, menos o orgulho de um povo.


A Casa dos Deuses - Portais da Liberdade, do autor José Leonídio, foi publicado em 2018 pela Editora Autografia.  Esse é o primeiro volume de uma pentalogia que contará a história do Rio de Janeiro, entre os séculos XVI e XX.

Nlá Eiye Odé, o grande Pássaro Caçador, príncipe de Keto, uma tribo na Nigéria, conheceu a jovem princesa Omijè Òssùpà quando ela se banhava nas águas do Rio Oxum.  Um grande sentimento nasceu entre os dois, que pressentiram logo que estavam unidos pela eternidade.  Porém, um grande feiticeiro da nação Efik, Osé da sociedade de Egbó, que tinha fama de capturar e vender seus inimigos, acabou cruzando o caminho do nosso guerreiro.

(...) as pedras rolam para o mar sem escolher o seu caminho, 
simplesmente seguem (...)

Aprisionado com seus valentes companheiros, Nlá Eiye foi colocado em um grande barco e seguiu viagem rumo ao Brasil.  Nessa jornada, em companhia dos Oju Gbós, pequenos pássaros de bicos avermelhados, e Ie Mo Enjá, a Rainha dos Mares, que na forma de uma grande baleia negra acompanhava a embarcação, o príncipe negro dá início a sua grande epopeia.  

Assim começa Portais da Liberdade, primeiro volume da pentalogia A Casa dos Deuses, uma história que reúne fatos históricos e fictícios.  O autor explora com competência o realismo mágico para nos contar o nascimento da riqueza cultural da cidade do Rio de Janeiro.  O livro refere-se ao século XVIII, e é fruto de 17 anos de pesquisa sobre a história da cidade.

São poucos aqueles que conseguem olhar para dentro de si mesmo e enxergar quais os caminhos a seguir (...)

Chegando ao Brasil, já escravizado, Nlá Eiye  foi vendido e mantido acorrentado na fazenda do poderoso juiz Francisco Telles.  Desde o primeiro momento, o príncipe de Keto não se esqueceu de sua origem, nem da promessa de amor feita à jovem Omijè Òssùpà.  A lida diária era permeada com o sonho de liberdade para ele e para todo o seu povo ali aprisionado.  Mesmo que muitos fossem de tribos inimigas, abraçaram-se como grandes irmãos que mantinham o anseio de retornar à sua pátria.

O livro marca o encontro da cultura africana com a dos índios Tupinambás, representada por Aimbirê, o velho sábio remanescente.  A Casa dos Deuses, morada de Iara e Tupã, sempre cercada por arco-íris, recebeu com honras nosso herói vindo da África e lhe deu uma missão:  preservar a memória dos Tupinambás e jamais deixar morrer o sonho de liberdade, mantendo viva todas as lembranças e mostrando o valor daquele povo e de suas lutas.

(...) tudo pode ser mudado, menos o sentimento não vivido (...) 

Muitos elementos enriquecem o enredo.  Dandara, uma negra alforriada que se apaixona por Nlá Eiye se mostra uma grande guerreira, e luta para conquistar o coração do príncipe de Keto.  Ele, porém, mantém-se ligado à sua prometida Omijè Òssùpà, através de cada lua cheia, pelo encantamento de seus deuses.  Outros personagens, também interessantes, formam núcleos variados mostrando a vida cultural, política e religiosa da cidade, os engenhos e as grandes festas que movimentavam a colônia.  A geografia da cidade, com seus nomes e símbolos, que permanecem até hoje são outro ponto a ressaltar, como exemplo o Passeio Público, Aguadeiro do Carioca, as Igrejas, o Paço Imperial, o Valongo e diversas ruas cidade.

A raiva nunca vence o equilíbrio (...)

Muitas tradições e lendas são mostradas.  O sincretismo religioso, misturando Santos e Orixás em uma mesma crença.  A influência dos colonizadores, da igreja, a vida nos quilombos, a cultura cigana com suas danças, músicas e ritmo.  A sensualidade das negras, mulatas e ciganas.  A arte popular que surgia na época das colônias. Os negros alforriados, judeus, mouros, os filhos de portugueses nascidos aqui no Brasil e suas novas ideias sobre a hierarquia portuguesa.  Todos os detalhes que construiam uma sociedade que, embora dominada pelos poderosos, já mostrava a força da miscigenação e mistura de culturas e conhecimentos.

Os caminhos da floresta são muitos, porém são poucos aqueles que nos levam ao nosso objetivo (...)

Muitas personagens, reais e fictícias, dão vida à trama.  O vice-rei Dom Luiz, um amante das artes, que se apaixona pela exuberante Suzana, descendente de índios.  Maria Ai Você Me Mata, Maria Regalada, Maria do Rejoulo, doutor José Nacife, Adelina, Cosme, Ramiro, Cabroió, João da Mina, Fatundê, entre tantos outros.   

A revisão deixou passar alguns erros e a edição teve algumas (poucas) falhas, nada que atrapalhe a leitura. Porém é um detalhe importante para focar, devido à grandiosidade e importância da obra. A escrita de José Leonídio é excelente e consegue prender o leitor do início ao fim.  Por ser um livro bem extenso, é necessário ler com calma e saborear cada página desse romance que encantará àqueles que apreciam conhecer as raízes da nossa história.

Mais do que vencer uma guerra é fazer dos perdedores nossos seguidores sem mágoas e rancores (...)

Narrado em 3ª pessoa, com 680 páginas, folhas amareladas, letras confortáveis, o livro A Casa dos Deuses - Portais da Liberdade contém notas de rodapé, que são muito úteis para explicar alguns termos da cultura africana, portuguesa e indígena, etc.   Essas notas são muito frequentes no início, o que acaba atrasando um pouco a leitura, porém são imprescindíveis para um total entendimento.  Aos poucos, o leitor se insere no universo apresentado, se familiarizando com as palavras, fazendo com que as notas sejam menos recorrentes.   O livro de José Leonídio é uma ótima indicação para conhecer melhor  a história dos povos que formaram o Rio de Janeiro como conhecemos hoje.  É uma leitura interessante e enriquecedora.  Boa leitura!




A Casa dos Deuses:  Portais da Liberdade #1
Autor:  José Leonídio
Editora Autografia
ISBN: 978-85-518-1131-3
Páginas: 680
Ano de publicação: 2018



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Sobre o Autor


José Leonídio, médico e professor da Faculdade de Medicina da UFRJ. Nascido na Guanabara, no bairro de Cavalcante. Formou-se em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade do Brasil. Seus primeiros passos nas letras foi escrevendo enredos para escolas de sambas e blocos. Em 2001 publicou seu primeiro romance, “A Raposa do Cerrado” Menção Especial, Prêmio Erico Verissimo 2001, União Nacional dos Editores. Em 2018, lança “Portais da Liberdade”, primeiro volume da Pentalogia “ A Casa dos DeusesGuanabara século XVIII.


*Livro recebido através da assessora de imprensa Andrea Drummond.

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