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terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Resenha: Para que os vivos e os mortos descansem em paz - Danilo Otoch (Cultura em Letras Edições)

 Os mortos não contam a sua história.


Para que os vivos e os mortos descansem em paz, de Danilo Otoch, publicado em 2015 pela Cultura em Letras Edições, coloca frente à frente dois extremos do período da ditadura militar no Brasil.   O regime que durou 21 anos (1964 a 1985) ficou marcado pela censura, falta de democracia e, principalmente, pela violência com que combatia os movimentos de oposição.  O livro foi finalista do Prêmio de Literatura Biblioteca Nacional 2015, na categoria Romance.

Éramos soldados lutando uma guerra.

E se hoje os protagonistas dessa história trocassem seus papéis?  Se o torturado estivesse no lugar do torturador e vice-versa?  O fim da ditadura não conseguiu apagar as marcas que ficaram.  Para muitos essa guerra ainda não acabou.  Cada um dos personagens dessa história carrega as cicatrizes dessa luta, convivendo com suas próprias verdades. 

(...) senti dores há muito esquecidas (...)

Um novo encontro marcaria a vida de três homens.    De um lado, dois velhos amigos.   Marcos que, aparentemente, tinha uma vida feliz; e  João, cercado pelos fantasmas do passado que insistiam em assombrá-lo.  Do outro lado estava Dr. Asmodeu, o homem responsável pelas torturas que os dois sofreram durante a repressão.

Sempre soube que vocês viriam um dia.

Um novo plano havia sido traçado. Um sequestro estava prestes a acontecer, o que abriria as portas para um passado sombrio e terrível, repleto de segredos e ameaças reais.   Marcos e João buscavam respostas que somente Dr. Asmodeu poderia lhes dar depois de mais de 30 anos de silêncio. 

O papel de algoz não me caíra bem.

A linha tênue que separava uns dos outros precisava ser definida.  Bem e mal.  Certo e errado. Lembranças dos grêmios estudantis e das lutas políticas.  Histórias de perseguições e atos heroicos.  Torturas, exílio, amores, medo e silêncio...  Amigos que desapareceram e nunca foram encontrados.

A revolução devora seus líderes (...)

Enquanto dois deles queriam vingança, o outro desejava viver.  Um embate entre eles estava prestes a começar.  Durante dias, os dois  homens mergulharam na mente do torturador, revivendo e redescobrindo atrocidades de um passado ainda presente.  A sensação de trocar de papel, transformando-se naquele que decide pela vida do outro pode ser absurdamente incômoda.  Duas visões diferentes dos mesmos fatos.  O ponto de vista podia alterar todas as concepções, incluindo quem eram os mocinhos e quem eram os bandidos.

(...) seu companheiro é tão assassino quanto eu.
 

Danilo Otoch explora os conflitos internos dos personagens, e, assim, as experiências individuais enriquecem a construção de cada um.   João é frio, calculista e objetivo.  Marcos sente ódio do torturador, mas queria proteger-lhe a vida.  Dr. Amosdeu vive em paz com seu passado, quando acompanhado de um copo de whisky.

(...) a verdade inabalável de um homem pode ser facilmente a mentira inacreditável de outro.

Fleury, Marighela, Jucelino, Goulart e Zuzu Angel são apenas alguns dos nomes reais citados.  Um enredo envolvente e repleto de tensão nas entrelinhas, baseado em um estudo minucioso da época.  Uma reflexão, onde percebemos que não há vencedores em uma batalha que só deixou vítimas.  Um assunto que se fez tão presente nos debates dos últimos meses, que ainda se mostra atual e necessário.  Um passado sombrio que ainda não acabou.

O esquecimento é o primeiro passo para repetirmos os erros do passado.

Com 250 páginas, Para que os vivos e os mortos descansem em paz é um mergulho na história da ditadura de nosso país.  As folhas são brancas e as letras confortáveis.  O livro está dividido em 20 capítulos, onde o autor mistura ficção com fatos verídicos da época.  O livro é narrado por Marcos, mas grande parte enredo se desenvolve nas falas de Dr. Asmodeu.  Boa Leitura!

Eles são de verdade.  Estão por aí e continuam perigosos e mortais.


Para que os vivos e os mortos descansem em paz
Autor:  Danilo Otoch
Cultura em Letras Edições
Edição: 1ª (2015)
Páginas :  250
Dimensão:  14x21cm
ISBN 978-85-68209-04-2

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  Sobre o Autor:

Danilo Otoch nasceu no Rio de Janeiro, em 1968, e atualmente reside na cidade de Jundiaí (SP). Formou-se em em História, mas exerce a profissão de policial desde 1997.  Lançou os livros "Mundo Cão", sendo finalista do Prêmio SESC de Literatura de 2010, na categoria Contos, e "Para que os vivos e os mortos descansem em paz", também finalista do Prêmio de Literatura Biblioteca Nacional 2015, na categoria Romance.
Secretamente, escreve poesias e quando não está lendo ou escrevendo, dedica-se à família e à outra paixão, as artes marciais.




* Livro gentilmente cedido pela Cultura em Letras Edições.

5 comentários:

  1. A capa do livro chama muito a atenção, livros que contam histórias sobre a ditadura militar são sempre surpreendentes, pois contam fatos que até mesmo desconhecemos. A ditadura para alguns não acabou como você disse, infelizmente é uma verdade só quem enfrentou que sabe, fantástico o livro do Danilo Otoch, abraços.

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  2. Gostei da temática do livro, abordar a ditadura e todo o mal que ela causou é sempre necessário como um lembrete constante

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  3. "O esquecimento é o primeiro passo para repetirmos os erros do passado."

    Essa frase nunca falou tanto com nosso atual momento como antes.

    Estamos em um processo que querem normalizar as atrocidades do passado justificando como um mal necessário...

    Precisamos abrir o olho e não ignorar o sofrimento do passado

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  4. Olá, já de cara achei a capa do livro Para que os vivos e os mortos descansem em paz muito intensa. Os relatos do livros devem ser impactantes, senti uma vontade enorme de ler.

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  5. Cada dia uma descoberta nova, estou ansiosa para ler esse livro.

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