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sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Resenha: Cem poemas sem poesias - Danilo Otoch (Cultura em Letras Edições)

 (...) E o tempo nunca foi suficiente. (...)
 (Trecho de Algumas verdades - p 58)


Cem poemas sem poesias, de Danilo Otoch, foi publicado pela Cultura em Letras Edições em 2018.  Em suas páginas há um misto de sentimentos que se libertam em cada palavra, expondo a força da poesia do autor.

(...) Não escreverei sequer uma linha a seu respeito, principalmente agora quando ainda ouço o bater da porta ecoando em meus ouvidos, e sinto o coração como uma ameixa. (...)
(Trecho de A anti-poesia - p. 59)


Sim!  Contrariando o título, há poesia no livro de Danilo Otoch.  Poesia genuína, repleta de significados, de representações e entrelinhas.  Mesmo que brote da dor, ausência ou indignação, a poesia está ali, dilacerada ou como um bálsamo.  Em cada uma delas percebemos um pouco do homem que viveu intensamente cada momento, e descobrimos o poeta que transformou dores e dúvidas em palavras que encantam.

(...)
Onde havia riso existe silêncio,
Olhos que se procuravam, agora evitam-se
E a poesia partiu-se em mil cacos
De espelhos (...)
(Trecho de Vazio Absoluto - p. 98)

 Os temas são variados.  Danilo fala de amor, de paixão, amizade, mas também fala de política e faz crítica social.  Sua poesia se torna voz para os excluídos quando nos diz em Intolerância na p.45: " É difícil ser diferente em terra de perfeitos(...)".  E divaga sobre a possibilidade de consertar as próprias falhas em Em outra vida na p.27:  "Quando eu tiver outra vida/Tentarei ser mais calmo,/Menos ácido e apressado. (...)/ Aprenderei a tocar um instrumento(...)/Te direi Eu Te Amo sem vergonha/ Mesmo que Você não me ame.(...)".  Assim, Danilo se veste com as próprias ideias e emoções e nos entorpece na profundidade de seus versos simples.

(...) 
Igual ao mar que nos aflige.
A água salgada que respinga em meus lábios
Trazendo-me sede,
E os restos de outras vidas que os mares carregaram
Para deitar enfim em mim.
Garrafas com pequenas mensagens
De náufragos de si mesmos.
(...)
(Trecho de Posse - p. 55)

Pelas palavras  do poeta desfilam não só Anas e Marias, mas também Janaínas, Mônicas e Danielles.  Nomes que marcaram sua existência pela intensidade da sintonia.  Outros nomes foram gravados no fogo das paixões, repletas de cumplicidade e desejo, e se fazem segredos ao brotar em versos pelas mãos de Danilo Otoch

(...) Vou dormir só,
Numa cama de casal.
(Trecho de Solidão - p. 103)



(...) As canetas de um poeta deviam conter sangue, não tinta. (...)
(Trecho de A anti-poesia - p. 59)

O livro tem 124 páginas, folhas brancas e uma edição bem organizada e revisada.  A capa está simplesmente linda!  Em suas poesias, Danilo expõe seus desejos, saudades e lembranças, que muitas vezes se tornam doloridas; já em outras, se tornam pequenos afagos.  Em Cem poemas sem poesias, o poeta nos mostra que seus poemas têm alma e muitas estórias.  Cada verso tem endereço e destinatário certo.

Acadepol

Foi tudo tão rápido,
Durou como um suspiro
Desses dados à noite
Antes de dormir
Motivado por lembranças
Inefáveis de um momento
Com a pessoa amada.
Não mais que um suspiro.
Rápido assim

Para A.P.F. (p. 50)



Autor:  Danilo Otoch
124 páginas 
1ª Edição - 2018
ISBN 978-85-68209-16-5
Dimensão:  14x21cm



http://www.culturaemletrasedicoes.com.br


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Onde Comprar:

http://www.culturaemletrasedicoes.com.br/livros-cultura-em-letras/a-era-dos-mortos-vivos/


  Sobre o Autor:

Danilo Otoch nasceu no Rio de Janeiro, em 1968, e atualmente reside na cidade de Jundiaí (SP). Formou-se em em História, mas exerce a profissão de policial desde 1997.  Lançou os livros "Mundo Cão", sendo finalista do Prêmio SESC de Literatura de 2010, na categoria Contos, e "Para que os vivos e os mortos descansem em paz", também finalista do Prêmio de Literatura Biblioteca Nacional 2015, na categoria Romance.
Secretamente, escreve poesias e quando não está lendo ou escrevendo, dedica-se à família e à outra paixão, as artes marciais.




* Livro gentilmente cedido pela Cultura em Letras Edições.

19 comentários:

  1. Gostei da indicação, gosto de poemas e achei muito bacana os poemas terem variedades e ser a voz dos excluídos! Muito bom mesmo! Nao conhecia o autor.

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    1. Que bom que gostou, Vany. Poesia faz sempre bem pra alma.

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  2. O título me levou a pensar, como poema sem poesia? Mas ao ler o primeiro poema fiquei encantada com a escrita do autor!! Muito bom saber que os temas são variados! O livro torna-se mais interessante. Dica anotada!
    Abraço!

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    1. Pois é, Cidália. Também pensei assim ao ler o título, mas me surpreendi a cada página. O autor faz brotar poesia de onde não se espera sair palavras tão bonitas.

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  3. Adoro poesias e esse livro é uma bela indicação. Achei muito interessante a mistura de temas, desde experiências pessoais do autor, até críticas sociais, bem bacana!

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    1. Olá, Patricia. Realmente o autor apresenta poesias bem variadas.

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  4. Amo livros de poesias assim no estilo Rupi. Obrigado por compartilhar esse conosco <3

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    1. Olá, Raquel. Obrigado pela visita. Que bom que gostou!

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  5. Muito interessante este livro de poesias, precisamos que os jovens se interessem mais sobre este tipo de livro, cercado de sensibilidade e profundo.

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    1. Olá, Ga. O mundo seria muito melhor se as pessoas se interessassem por poesias. Obrigado pela visita.

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  6. Meu querido, eu gostei muito, amo poesia, este livro é uma maravilhosa indicação para presentear, parabéns pela resenha! ( estava com saudades de ver suas maravilhosas resenhas, muito prazer em poder conhecer o Danilo beijinhossssssss

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    1. Obrigado, Rubia. A vida com poesia é sempre mais bonita. Concordo que é um ótimo presente.

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  7. O que mais amei é que Danilo Otoch, seu livro de histórias, é baseado em fatos, adoro livros de poesia ... Ele está de parabéns, ele merece todos os prêmios.

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    1. É verdade. Cada poesia retrata algum momento vivido pelo autor. Obrigado pela visita.

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  8. Que maravilhoso o livro, gosto muito de poemas é fantástico conhecer livros assim, poemas falam muito em nós, foi um prazer conhecer essa obra incrível do Danilo Otoch, abraços.

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    1. Que bom que gostou, Lucimar. Eu também gosto muito de poesias.

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  9. Mais uma boa de leitura!!! Eu não sou muito chegada a poesia, mas fiquei bastante interessada nesse!!!

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    1. Oi, Mi. Mesmo não gostando, é bom ler uns trechos, uma hora acaba achando algo que se identifica.

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  10. Eu não sou muito de ler poesia.Não é a minha primeira escolha quando entro numa livraria,mas confesso que sempre dou uma olhadinha por curiosidade.bjus.

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