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quarta-feira, 22 de junho de 2016

Entrevista com a autora e jornalista Clara Arreguy

https://www.facebook.com/mariaclara.arreguymaia

É muito bom conhecer nossos autores.  Muitas de suas histórias acabam tomando forma nas páginas de seus livros.   Hoje trago para vocês uma entrevista que, pacientemente, a autora de Tempo Seco - Clara Arreguy - nos concedeu.  

Ela nasceu em Belo Horizonte,  acumulou experiência ao longo da carreira de jornalista e, consequentemente, tem uma bagagem enorme como escritora. 
Ela tem vários livros publicados e ideias de sobra já pintando por aí.    





Seus Livros:
http://www.clara-arreguy.comSegunda Divisão (Lamparina, 2005),  
Fafich (Conceito, 2005),  
Tempo Seco (Geração Editorial, 2009),  
Catraca Inoperante (Outubro Edições, 2011 e 2014),
Rádio Beatles (Outubro Edições, 2012),
Siga as setas amarelas (Outubro Edições, 2014), 
Sonhos Olímpicos (Franco, 2015),
Dia de Sol em tempo de Chuva (Chiado Editora, 2016).
O Planeta das flores amarelas - Coletânea de crônicas publicadas na revista Veja Brasília- (Outubro Edições, 2016)
http://www.clara-arreguy.come participações em vários outros.
Desde já agradeço à Clara Arreguy o carinho e a paciência em responder tudinho. rsrs  Leiam também o post sobre a autora aqui no blog.  Bom, sem mais delongas, vamos à entrevista.  Vale à pena conferir.

A carreira e a técnica jornalística influenciam na forma de escrever seus livros?
http://www.clara-arreguy.comSim, o fato de ter escrito durante 25 anos para jornal me deu agilidade e objetividade na escrita. A diferença é que na escrita literária posso fugir das características do texto jornalístico, fazendo, por exemplo, construções longas, sem verbo ou com repetições intencionais – o que no jornal seria considerado mau texto...

Como surgem as ideias para uma boa história?
Às vezes de um estalo, um clique. Tive a ideia para "Rádio Beatles" enquanto dançava num show de banda cover dos Beatles. A do "Tempo Seco", ao ouvir uma frase dita por um taxista. Outras, como "Siga as setas amarelas" e "Dia de sol em tempo de chuva", vieram durante viagens de bicicleta...

De onde nascem seus personagens?  Vida real ou imaginação?
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Os personagens muitas vezes são inspirados em gente que conheço, mas a ficção me permite reinventá-los ao sabor da necessidade do romance. A maioria deles, na verdade, sai de dentro de mim. Tem muito de mim na Miriam, de dois dos meus romances, mas também sou um pouco do Caio, do Nonato Rodrigues, etc...

O que estimula sua criatividade? 
Ver e viver a vida me estimula. Viajar, ler, assistir coisas, conversar com gente, ouvir conversa na ônibus... Um bom autor me desafia a escrever tão bem quanto ele (não quer dizer que eu consiga). Uma pesquisa que eu faça para um livro me enche de estímulos.

Como é o ato da criação para você?  É algo expansivo ou solitário?
A criação em si é solitária, mas gosto de partilhar, comentar o tema, o andamento da história.
http://www.clara-arreguy.com 
Qual o melhor ingrediente para uma boa história?
O melhor ingrediente é sempre a emoção. Quando uma história te emociona, certamente vai emocionar também o seu leitor.

Quando você começa um novo projeto, os pontos chaves já estão definidos e você segue o roteiro ou a história ganha vida própria e sai fora do planejado?
Não sou de muito planejar, mas gosto de pesquisar. Em geral tenho um ponto de partida, mas raramente um de chegada. Os personagens têm vida própria, se conduzem por caminhos que eu nem suspeitava.

Quais são as etapas principais que percorre desde as ideias iniciais ao término de um livro?  Você deixa alguém ler antes do ponto final?
https://www.facebook.com/mariaclara.arreguymaia Depois de ter a ideia, definir os principais personagens e começar a escrever, pesquiso, mergulho no universo do romance. Por exemplo, ouvia Beatles o tempo todo para escrever "Rádio Beatles", ouvia música portuguesa e lia sonetos portugueses enquanto escrevia "Dia de sol em tempo de chuva". Quando termino de escrever, deixo o texto descansar por um tempo. Eu descanso dele, ele de mim. Passado um tempo, retomo o trabalho, releio, mexo, corrijo, aprimoro, mudo coisas. Depois passo para alguém ler, mais de uma pessoa, ouço palpites, retrabalho o que for preciso.

Existe receita para escrever bem ou talento é essencial?
Existe exercício, treino, base de estudo que vem da infância, conhecimento da língua, vocabulário dado por leitura. Ler é fundamental. Escrever sempre, exercitar. Mas para quem nasce com o dom tudo fica mais fácil...

O que você espera que seus livros sejam para o leitor, além de entretenimento?
Espero que os emocionem e que os façam pensar. Que os alegrem e façam deles pessoas mais felizes. Mas sei que isso é querer demais, então, se forem bom entretenimento, já está de bom tamanho...

Você escreve para você, para o leitor ou para a crítica especializada?  Existe diferença?
https://www.facebook.com/mariaclara.arreguymaia Meu leitor primeiro sou eu mesma. Se eu gostar, já fico feliz. E em geral eu gosto. O leitor mesmo é a meta. O alvo. Quando obtenho retorno de um leitor, fico feliz e realizada. A crítica especializada é muito rara, quase não há, então não tenho nenhuma expectativa quanto a ela. Quando lancei meu primeiro livro, "Segunda Divisão", obtive boas críticas e uma negativa. Achei chata essa ruim, mas é a visão de cada um, respeito todos os pontos de vista.

Suas opiniões interferem no seu texto? Já mudou algum final para adequá-lo a esses pontos de vista?
http://www.clara-arreguy.comMeu texto são minhas opiniões. Tudo que escrevo sai de mim, mesmo quando a personagem pensa diferente de mim. Algumas são o oposto do que penso, mas elas são assim. O final faz parte do todo.

Já confundiram seus personagens com você?
Muita gente pensa que a Miriam, de "Tempo Seco" e "Siga as setas amarelas", sou eu. Tem gente que até me chama de Miriam. É claro que ela tem muito de mim, mas ela não sou eu. Ela faz coisas que eu não faço, eu faço coisas que ela não faz; se ela fosse eu, ela se chamaria Clara, não Miriam.

Qual a função da literatura? Seus livros se preocupam em abordar temas sociais?
http://www.clara-arreguy.comEu me preocupo com temas sociais e políticos, então isso aparece também na minha literatura. Mas a função da literatura não é fazer política ou resolver problemas sociais. É emocionar. Se possível, melhorar o mundo abrindo a cabeça das pessoas. Mas não fazendo a cabeça das pessoas. O sentido é a liberdade, a amplidão, não o fechamento, a doutrinação.

Música, futebol, religião e política se discutem?
Claro! Não há assunto proibido. Temos que falar de tudo, falar com abertura, respeito, tolerância, aceitação das diferenças. Meus livros falam de futebol, religião, drogas, música, política, sexo. Tem gente que acha ruim. Já fui acusada de fazer apologia às drogas porque falo do assunto. É preciso falar, não esconder, fingir que não existe, varrer pra debaixo do tapete.

O que é mais difícil: a primeira ou a última frase?
A última. A primeira em geral já vem pronta na cabeça. A última precisa ser elaborada, muitas vezes isso demora...

Existe limite para criar, ou sua escrita é como a vida, sem pudor?
https://www.facebook.com/mariaclara.arreguymaia Sem limites. Claro que se você vai escrever pra determinado público, por exemplo, crianças, é preciso se adequar a ele. Mas a escrita deve ser livre e despudorada, libertária e revolucionária.

Livros e filmes.  Como é sua escolha?  Pela capa, título, autor (diretor) ou assunto?
Não sou muito seletiva. Gosto de tudo. Vejo e curto filmes norte-americanos, mas prefiro outras cinematografias, a brasileira, as europeias, iraniana, japonesa, etc. Livros prefiro ir pelo autor e assunto, mas já fui pela capa, também. É mais raro.

Dança clássica, teatro e movimento estudantil.  O que contribuiu para a escritora Clara Arreguy?
Dança clássica não. Só pra me atormentar. Teatro muito, sou de família teatral, fiz, gosto, fui crítica de teatro por 18 anos. E movimento estudantil me deu a base política para fazer da vida uma atuação constante, intervenção na realidade. A solução dos problemas do Brasil e do mundo passa necessariamente pela política. Ela está presente no meu dia a dia, na minha escrita, nos meus livros, na minha construção de uma vida melhor e mais justa.

Seu livro de crônicas Catraca Inoperante (2011) foi relançado pela Outubro Edições em audiolivro.  Fale um pouco sobre esse trabalho.
http://www.clara-arreguy.comFoi maravilhoso fazer a leitura das crônicas com participação de amigos jornalistas, atores e atrizes, radialistas, e amigos só amigos, mesmo. Meus irmãos também participaram. O resultado ficou lindo, com trilha sonora e sonoplastia. Mas o melhor foi levar esse trabalho a bibliotecas e escolas de cegos e pessoas com dificuldade de leitura. Foi um trabalho de inclusão. Distribuímos de graça para entidades do Brasil inteiro, fizemos leituras e apresentações. Os cegos adoraram. Quem me dera eu pudesse fazer audiolivros de todos os meus livros. Mas é caro e só pude fazer porque tive o patrocínio da Caixa Econômica Federal.
http://www.clara-arreguy.com 
O livro Sonhos Olímpicos (2015), pela Franco Editora tem uma aproximação maior com os jovens.  Como está sendo essa experiência?
Falar com os jovens é uma delícia, está sendo incrível. Depois dele já escrevi outro livro dedicado a esse público, para quem agora vou sempre querer falar.

A Outubro Edições nasceu no início dos anos 2000.  Qual é o papel que ela representa hoje?
https://www.facebook.com/outubro.edicoesComecei a editar livros dos outros em 2002, assinando como Outubro Edições, mas era um nome de fantasia, não era legalizado. Fiz os dois livros do meu pai assim, um de um amigo, alguns meus. Em 2015 resolvi formalizar a editora, criei a empresa, agora tenho CNPJ e emito nota, o que facilita a profissionalização desse trabalho. De lá pra cá já lançamentos quatro livros de outros autores, um meu ("O Planeta das Flores Amarelas") e tem mais um para entrar na gráfica nos próximos dias. E agora vamos fazer quatro livros infantis, sendo um meu e três de autoras que integram, como eu, a Casa de Autores de Brasília.

Fale de seus projetos atuais.
https://www.facebook.com/outubro.edicoes
No momento estou preparando o lançamento do meu primeiro livro infantil, "Oit Labina", a história de uma menino esperto e inteligente que muda de comportamento após sofrer uma queda e ficar um tempo desacordado. Já velhinho, ele vira um tio engraçado, que ensina a meninada a falar de trás pra frente. E acabei de escrever o segundo livro para jovens, "1974", que está naquela fase de "dormir" antes que eu faça nele os últimos retoques. Só deve sair no ano que vem.



Mais uma vez, obrigado à autora Clara Arreguy e a todos que leram essa deliciosa entrevista.  Para maiores contatos e informações, os links se encontram a seguir. Até a próxima, galera! 





30 comentários:

  1. Excelente entrevista. Gostei da parte que ela diz que ouviu músicas dos Beatles pra escrever o livro dela e que leu sonetos para um outro livro. Mergulhar na cultura do personagem e da ambientação que trata o livro é uma estratégia bem interessante! Parabéns ao Atraentemente pela entrevista! Cada dia que passo aqui, mais gosto deste blog! Um abraço Evandro, trabalho primoroso este que você faz. Abraço e até o próximo post :)

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    1. Verdade! É preciso se entregar por inteiro a um trabalho para fazer bem feito.

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  2. Ótima entrevista Evandro, ótimos livros da Clara. Parabéns, ela é uma ótima autora, estou lendo Tempo Seco, e a leitura é bem agradável.

    http://www.vestigiodelivros.com.br/

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    1. Legal, Elivelton, você vai gostar. É um livro muito bem escrito e maduro, e um final surpreendente. rsrrs

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  3. Entrevista excelente com uma autora incrível! Parabéns!

    http://madminds.weebly.com

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  4. Gostei demais da entrevista e a autora parece sempre estar de bom humor né?
    Eu acho que se fosse escritora encontraria algumas de minhas inspirações certamente no ônibus, eu viajo nas conversas dos passageiros, as vezes fico observando até quando eles descem e imaginando várias hist´rias e situações. kkkkkk
    Excelente entrevista. Parabéns

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    1. Marcia, a alegria da autora também me chamou a atenção em todas as fotos que vejo. Acho que o segredo dessa alegria é fazer o que gosta, está sempre cercada de pessoas que respiram cultura e arte. Quanto às histórias ouvidas nos ônibus... É uma ideia. Aventure-se. rsr

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  5. Olá, Evandro.
    Parabéns pela entrevista. Deu para conhecermos um pouco melhor a autora e eu fiquei encantaa com o sorriso dela! Ela sorri de uma forma contagiante.
    Abraços.

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    1. Oie, Maria. A felicidade é mesmo contagiante e sorrir é um presente maravilhoso. Eu adoro também ver pessoas felizes.

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  6. Obrigada, Evandro, e parabéns pelo belo trabalho!

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    1. Eu que agradeço, Clara. Conhecer seu trabalho e sua trajetória é uma aula para todos nós.

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  7. Adorei a entrevista. Sempre interessante saber mais sobre os caminhos para a produção de um escritor. Parabéns pelo trabalho!

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    1. Obrigado, Fábio. Eu também gosto de conhecer como todo esse processo se apresenta para cada um. Quando a gente vê o livro pronto não imagina o caminho percorrido para chegar em nossas mãos.

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  8. Estou alegre por encontrar blogs como o seu, ao ler algumas coisas,
    reparei que tem aqui um bom blog, feito com carinho.Posso dizer que gostei do que li e desde já quero dar-lhe os parabéns, decerto que virei aqui mais vezes.
    Sou António Batalha.
    Que lhe deseja muitas felicidade e saúde em toda a sua casa.
    PS.Se desejar visite O Peregrino E Servo, e se o desejar siga, mas só se gostar, eu vou retribuir seguindo também o seu.
    http://peregrinoeservoantoniobatalha.blogspot.pt/

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    1. Obrigado, Antonio. Já sigo seu blog há um tempo. Gosto muito.

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  9. Adorei a entrevista, Evandro!!
    Muito bacana e bem feita, parabéns!
    Adoro a escrita da Clara e ela é muito querida.
    Adorei as fotos. Ela ri com tanto gosto que quase posso escutar sua risada..rs
    Bjs

    www.maeliteratura.com

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    1. Fico feliz que tenha gostado, Claudia. Eu só li Tempo Seco e também adorei o estilo da Clara.

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    1. Brigadão. Graças à autora que foi tão sincera em cada resposta. Eu também adorei.

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  11. Muito massa a entrevista, Evandro. Intimidante, inteligente, criativa, espontânea.bjs

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    1. Obrigado, Edna Guedes. Pois é, ela é uma pessoa incrível e eu adorei fazer esse trabalho com ela.

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  12. Nossa, ela parece tããão divertida!! Amei e já quero ler todos os livros dela. As fotos dela ficaram maravilhosas e passaram uma alegria contagiante. ♥

    Beijos, Ka.
    www.normalidadeincomum.com.br

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    1. Também quero ler todos, Karen. São tantas histórias diferentes...

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  13. Gostei vou ler
    Faz tempo que busco uma boa leitura hehe

    esequielgoli.com

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    1. Leia sim, Esequiel. Depois nos conte o que achou. Obrigado pela visita.

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  14. Amei!!!!!! Muita coisa! ❤️❤️❤️❤️🙌🏼

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  15. Lendo essa entrevista cheguei a me identificar com a autora em determinadas respostas.
    Foi bom "conhecê-la" através deste post!
    Abraços.

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    1. Que legal, Cidália. Eu adoro essa parte de entrevista, onde temos a oportunidade de entrevistar os autores e saber um pouquinho mais sobre o processo de criação de cada um.

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