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segunda-feira, 4 de abril de 2016

Açucar Amargo

Açúcar Amargo, livro de Luiz Puntel é uma homenagem a várias mulheres que perderam a vida ou se dedicaram a lutar pelos direitos dos boias-frias.  A história é baseada em fatos da vida real.  

O livro relata a trajetória de Marta e sua família, que tocava uma lavoura em Catanduva, interior de São Paulo.  Depois dos planos de instalação de uma usina de cana onde moravam, eles são obrigados a deixar a fazenda, chegando à cidade de Guariba.  

Em meio à luta por seus direitos, enquanto mulher e trabalhadora do campo, Marta enfrenta o preconceito em casa, no trabalho e, consequentemente, na sociedade. Ela tenta seguir sua rotina, e via no estudo a única oportunidade de um futuro melhor. Ela queria um destino diferente da realidade da mãe, já doente, que se resumia no tanque e fogão, entre outras tarefas domésticas.

O pai, Pedro, dedicava toda a admiração para Zeca, o filho primogênito.  Viviam em uma realidade onde os filhos homens eram mais valorizados, por ser mais um a trabalhar na lavoura.   Na escola, Marta conhece o jovem Tião da Farmácia, que de cara se encanta pela moça.  Conhece também a professora Tânia, uma pessoa que se transforma em grande amiga e confidente, ganhando sua confiança.


Muitas pessoas iam tentar a sorte em Guariba.  Um dia chega na cidade um jovem desconhecido, e se apresenta pro Gato ou Turmeiro em busca de emprego.  Gato ou Turmeiro era o nome de quem contratava os serviços.   João, o Mudinho era um forasteiro, arredio, distante e não se aproximava de ninguém.  Na colheita da cana conhece Agenor e a ciumenta Ângela.  Não demorou pra desconfiarem que ele fosse um dedo duro, espião do feitor.  

Até Pedro, pai de Marta, reconhece o bom trabalho do Mudinho, que logo se sobressai no corte da cana, deixando Marta com ciúmes.  Todo mundo falava bem, até o pai comparava ele com o filho Altair.  Aos poucos, o destino mexe as peças na vida dessas pessoas e nos surpreenderá com seus caprichos.

Agora, Marta precisa se esforçar para mudar o seu valor e lutar contra as injustiças cometidas contra ela e todos os lavradores.  Precisa brigar por salário justo, melhores condições no trabalho e conquistar direitos no sindicato...  e ainda ligar com um grande e primeiro amor.

Humilhações, tragédias, exploração, ciúme, amizade… O desespero da personagem principal em provar que era tão capaz como qualquer homem. Todos esses ingredientes misturados a uma história de amor, faz de Açúcar Amargo um livro triste, que conta com veracidade a luta pela reforma agrária dos boias-frias.

Comparado a outros livros da série Vaga-lume, esse tem um tema com abordagem bem profunda, gerando reflexões e aprofundando sobre um assunto tão presente na realidade brasileira.  Eu recomendo!


“O açúcar é doce pros donos dos canaviais.
Pra nós ele é azedo e amargo
Que nem dá gosto.”

Flor-de-Nice dos Santos,
Boia-fria  (Pag. 06)

Título :  Açúcar Amargo
Autor : Luiz Puntel
Ed. Ática
Coleção : Vaga-lume
13ª Edição – 1997
111 páginas

(por Evandro de Oliveira)

7 comentários:

  1. Amei esse livro, mesmo tendo que ler pra fazer prova!

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    1. Eu também já fiz uma prova dele Márcia. rsrsrs

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  2. Nunca li este livro mais pela resenha
    parece ser ótimo parabens.
    ladorosadomundo.blogspot.com.br

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    1. Esse livro é bem legal sim Jéssica Moura. Mesmo sendo infanto Juvenil, tem um assunto bem sério que se desenrola junto com a história.

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  3. Nossa, li este livro a muito tempo e ler esta resenha me fez relembrar dessa ótima história. É um livro da série Vaga-lume de infanto-juvenil, mas que trabalha assuntos importantíssimos, com a exploração, a desvalorização da mulher entre outros. É um livro curto, mas sensacional. Gostei muito de ler essa resenha. Primeiro por que me remeteu ao passado; segundo por que me mostrou que esse livro marcou a minha vida, pois lembrei das coisas apresentadas na resenha; e, terceiro me ajudou a relembrar dessa história magnífica. Parabéns, Evandro. E obrigado por me reapresentar este livro, depois dessa resenha pretendo reler o livro, não tenha dúvida.

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  4. Então, Leandro. Comecei a colecionar a vagalume há algum tempo. Realmente algumas estórias trazem mensagens e discussões que continuam atuais. Já estou com vinte e poucos livros.

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    1. Nossa, que legal, Evandro. Tenho vontade de ter esses livros também. Eles me fazem recordar do passado. Dos momentos em que lia o livros da vagalume. São histórias sensacionais, mesmo.

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